A medida de ser amigo (existe?)
25 mai 2012 Deixe um comentário
Amizade é a arte de admirar e discordar. A alegria de dividir os sorrisos e frustrações, sem julgamentos. A beleza de querer bem e torcer pelo sucesso, mesmo com objetivos diferentes e mesmo quando não entendemos bem os porquês do outro.
O amor que aceita as diferenças e aprende com elas. A liberdade de chamar de irmão, de apontar os erros, chorar no ombro, sorrir sem motivos e no fim, brindar aos novos tropeços.
Amizade é um amor que nunca morre já dizia Quintana! Amizade é a certeza de que a incompreensão vem seguida de um abraço. Amizade é a felicidade plena de saber que onde quer que você esteja, tem alguém te querendo bem, te apoiando e sempre pronto para te fazer rir ou chorar…
Hoje acordei com a certeza de que sou tão feliz quanto é permitido ser… talvez até um tanto mais, já que não sei ‘medir’ felicidade! Mas sei exatamente o que amizade significa para mim e quanto sou grata pelos amigos que tenho!
Somos todos loucos, carentes…
10 mai 2012 Deixe um comentário
em maio
O homem passa ao meu lado. Aos gritos, conta toda sua indignação para alguém que não está ao seu redor. Um morador de rua, no seu mundo. Querendo atenção, querendo falar, querendo sentir, mas ninguém sequer tem a bondade de lhe dar um olhar direto.
A cena se repete a cada esquina. Nas ruas das grandes e pequenas cidades. Nos parques, na grama, nos bancos. E na tela do meu computador. Sim, na tela do meu computador. Nas tais redes sociais. E mais, eu também faço o papel de louca e carente virtual pedindo atenção. Você também faz. Na verdade enquanto escrevo esse texto estou aos gritos no meio de uma avenida.
Você vai me dizer que na rede as pessoas conversam com você, e por isso não tem nada de loucura. Sério?

Me confirma que todos seus posts no Facebook tem comentários, curtidas ou compartilhamentos? Todos seus tweets são lidos, recebem RT e geram muuuita polêmica. Não, né? E por causa disso você para de escrever, postar, compartilhar? Não, né!?
Isso é ruim? Não, de forma alguma! Na verdade acho que as redes sociais foram a salvação da humanidade. Afinal, estamos todos loucos, carentes e cheios de ideias na cabeça. Precisamos de atenção, de carinho de alguém para nos escutar. Mesmo que, ninguém esteja ouvindo de verdade, a gente quer falar e falar e contar e mostrar. E isso é muito bom! Afinal, as ideias só dão algum fruto quando compartilhadas com o mundo… ao menos eu acredito nisso! Uma ideia presa dentro da cabeça é uma ideia morta!
Nessa história toda, uma dúvida ficou na minha cabecinha: se alguém nos ouvir de verdade, assim olhando no olho, na vida real será que vamos parar de gritar tanto nas esquinas virtuais?
A essência que dividimos com o mundo
15 abr 2012 Deixe um comentário
Um dia uma amiga me falou: “tu é mais do que uma mulher de 31 anos. Tu é jornalista, tu é amiga, tu é filha, tu é irmã…” Aquilo ficou na minha cabeça de tal forma que na hora eu só consegui dizer “eu sei, eu sei.” Hoje eu acho que consegui entender isso um pouco mais e entender um pouco mais disso nos outros. É fácil olharmos para alguém e enxergarmos uma imagem em preto e branco e uma dimensão: fulano de tal, tanto anos, profissão. Não é só isso, não somos só isso.
Eu me sinto uma essência que vai se revelando, modificando, melhorando, piorando, crescendo e amadurecendo com o passar do tempo e em diferentes situações. Eu sou uma quando estou num ambiente desconhecido, minha essência está lá, mas só mostro um pouquinho. Eu sou outra quando estou com os que amo, a minha essência mais verdadeira talvez, uma menina mulher que acredita nos seus sonhos, que precisa de carinho e que valoriza cada segundo dele. Eu sou outra quando estou sozinha, a minha essência mais escondida e que às vezes eu revelo aqui.
Eu estou me descobrindo a cada dia. Encontrando ‘cheiros e tons’ diferentes da minha essência. Estou convivendo com eles pela primeira vez. Valorizando situações e gestos que antes nem sabia que valorizava. Sentindo prazer em viver uma versão diferente da vida. Sendo mais frágil. Me entregando mais. Acredito que vivendo mais a minha essência, por estar segura que estou num momento feliz. Me vejo hoje como uma mulher que sabe na sua essência o que a faz feliz e está vivendo e acreditando, como nunca antes, que essa felicidade é possível. 
Quanto aos outros. Descubro todo dia, a cada dia, a cada novo momento o quão bonitas, ou feias, ou lindas ou simplesmente humanas as pessoas são em cada situação. E me surpreendo respeitando e admirando mais cada um quando consigo perceber isso. Ninguém é todo mal. Ninguém é só amor. Ninguém é só festa. Ninguém é só tristeza. Somos todos varições daquilo que trazemos dentro de nós e daquilo que permitimos dividir com os outros.
do que a gente não pode fugir
23 mar 2012 Comentários desativados
em 2012, março, Uncategorized
há mais de um ano atrás eu decidi que tinha que me dedicar a mim. tinha que buscar a minha felicidade. tinha uma urgência de que tudo que eu queria estava longe de onde eu estava. eu sabia para onde ir. eu sabia o que eu queria fazer e como fazer. e sabia que somente a distância geográfica ia amenizar a dor sentimental. deu certo. por um tempo. um bom tempo. o tempo certo talvez.
de repente, como se fosse uma avalanche as coisas ruins me acharam. invadiram lugares que eu achei que eram só meus. e ai eu me abalei. eu me senti frágil, sem defesa, sem chão. fiquei por assim dizer: desesperada para achar um novo esconderijo. doeu, muito. doeu mais porque eu vi o quanto as pessoas podem ser más. e alguma coisa se quebrou dentro de mim. algo que nunca mais vai ser igual. fiquei sem ação. fiquei sem caminho. fiquei sem sentir.
agora o turbilhão acalmou. afinal eu percebi que eu não posso fugir, nem correr, nem me esconder. eu só posso continuar buscando minha felicidade. a frase é simples, o ato nem tanto. mas a vida ensina que o desespero não ajuda e que o abraço apertado de quem se ama é um poderoso escudo contra a maldade alheia. resolvi dividir aquilo que estava pesado demais para mim.
o problema desapareceu? a dor sumiu? não! certamente não! mas me sinto mais segura para quando as coisas ruins me acharam novamente. eu não vou mais fugir. talvez me esconder no meio de um abraço e deixar a maldade passar ao meu lado.
Um pedido de obrigada!
15 fev 2012 Deixe um comentário
em 2012, fevereiro, Uncategorized
Naquele momento entre o cansaço controlável e o fechar dos olhos é que repasso meu dia. Nesses segundinhos antes do sono tomar conta de mim eu agradeço por mais um dia e peço serenidade para continuar. Às vezes, muitas, eu também sinto uma necessidade de pedir por aqueles que amo. Não é um pedido feito promessa. É só um pedido de atenção, de benção, de carinho ou mesmo de paz para essas pessoas. Na maioria das vezes.
Para falar a verdade, eu não gosto muito de pedir nada para Deus. Eu acredito que Ele saiba o que é melhor para gente (aprendi que isso é ter fé). Mas quando eu peço, tento sempre exercitar o ‘que aconteça o melhor’. Nem sempre consigo. Ultimamente eu tenho andando com o peito cheio de pedidos. Tento me controlar, afinal Ele sabe o que faz né. Mas será que dá para fazer umas coisinhas do meu jeito ou no meu ritmo?
Numa contradição toda minha eu resolvo não falar os meus pedidos para o Cara. Na doce ilusão de que ele realmente não lê meus pensamentos e não me conhece bem o suficiente para saber o que eu estou escondendo. O mais incrível? Mesmo sem que eu admita que eu quero pedir, Ele vai dando um jeitinho de deixar as coisas todas perfeitas.
Era para ser um pedido, virou um agradecimento…
A gente mal adivinha…
01 fev 2012 1 Comentário
em 2012, fevereiro Tags:amor, cinema, convivência, escolhas, família, feios, frustações, idealizações, medos, preciosa, segurança, sentimento., sujos e malvados, tristeza
Nas última semana assisti dois filmes que me deixaram pensando na feiura e tristeza do ser humano. O primeiro me chamou a atenção numa prateleira de locadora: Feios, sujos e malvados. O segundo apareceu numa caça ao tesouro nas Americanas: Preciosa. Apesar de separados por um Oceano, culturas, cores e décadas os dois filmes me pareceram igualmente tristes. Minha intenção nesse post não é fazer uma crítica de cinema ou dar dicar de filme. As obras são fortes, duras, chocantes e reais demais. No fim ficou para mim uma certeza: o ser humano é muito malvado!
Em Preciosa, a protagonista sofre, para mim, o pior mal que pode nos afetar: a falta de sentimento. Não diferente do protagonista de Feios, Sujos e Malvados. A primeira só aprendeu uma forma de viver: se escondendo. O segundo escolheu ser mesquinho e desconfiado. Ambos tiveram em outro (ou outros) ser humano o motivo para a amargura e também para voltar a sorrir. Confesso que as lágrimas que derramei enquanto assistia Preciosa foram muito mais de medo das verdades reveladas pelos personagens do que por pena ou tristeza. Em Feios(…) não há espaço para lágrimas.
Existem milhões de famílias que são um amontoado de ‘gentes’ sem sentimento e que estão juntos graças a alguma cola gosmenta e ruim. Andam nas ruas outro tanto de meninas violentadas pela vida, triste e que só querem se esconder do mundo. Um outro tanto de pessoas como ‘nós’ que fica com pena, com medo, com nojo, com raiva, com cegueira e toma distância disso tudo. Pois é, ao fim dos filmes eu só conseguia pensar: ‘quanta gente ruim, quanta gente podre, quanta gente triste, que mundo feio!’.
Lembrei, de uma música de Vinícius e Toquinho e fiquei com um aperto no peito por viver num lugar onde as pessoas são restos e resultados de maldade e dor enquanto nós assistimos a tudo da sala de jantar…
Um homem chamado Alfredo
‘Gente com os olhos no chão
Sempre pedindo perdão
Gente que a gente não vê
Porque é quase nada’
Sem certezas inabaláveis
23 jan 2012 2 Comentários
Você se conhece? Eu estou falando daquele sentimento de segurança de saber exatamente como agiria em determinada situação? De ter certeza absoluta que jamais, em hipótese alguma, teria tal atitude? Eu achava que me conhecia. Eu tinha certezas inabaláveis. Eu já devo ter escrito e falado: eu nunca faria isso. Quanta ingenuidade! Quanta prepotência! Quanta falta de humildade! Hoje eu vejo: a gente só tem certeza absoluta de como vai reagir, sentir, agir quando vive a situação dentro do seu contexto.
Parte dessa ingenuidade sobre o nosso autoconhecimento nos leva a julgar os outros. Na maioria das vezes, nos achamos superiores ou inferiores aos que nos rodeiam baseados em atos ou palavras deles. Aí é que está o nosso erro. Primeiro: não temos que julgar ninguém, seja para virar herói ou bandido. Segundo: como já disse Caetano ‘cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é’. Terceiro (e mais importante): ninguém se conhece tão bem para saber qual o limite de dor que aguenta, qual o ‘tamanho’ do amor que vai sentir, qual a força que tem na hora do aperto e outra infinidade de sentimentos que só vamos descobrir sentindo.
Ao mesmo tempo que fico um pouco decepcionada por entender que não me conheço tão bem quanto a minha razão achava fico, também, feliz. Sim, feliz. Porque acabei de me dar em conta que eu posso descobrir coisas incríveis ao meu respeito. Posso me surpreender comigo mesma e com as lições que aprendo com os outros. O primeiro passo para isso: acabar com todas as certezas inabaláveis, elas não servem para nada….

